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História da Pintura e da Cor

As tintas e revestimentos ocupam um lugar proeminente na história cultural da humanidade, desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje a pintura e a cor es...

Historia da Pintura e da Cor
Publicado por Tintas e Pintura
em 21 Março, 201111 Julho, 2023
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História da Pintura e da Cor

As tintas e revestimentos ocupam um lugar proeminente na história cultural da humanidade, desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje a pintura e a cor estiveram sempre presentes.

História

O fascínio pelas cores e pelo aspeto decorativo das tintas existe desde os tempos pré-históricos, como o testemunham as pinturas das cavernas, feitas com tintas à base de gordura animal e terras coradas ou pigmentos naturais, tais como o ocre.
 
Na mesma altura os povos do sudoeste asiático tinham já desenvolvido a arte da fabricação de lacas, verdadeiros antecessores dos revestimentos modernos, enquanto na Índia, da secreção de um inseto se extraía a goma-laca (shellac), usada na preparação de um verniz para proteger e embelezar objetos e superfícies de madeira.
 
Podemos ainda encontrar provas nos antigos Hieroglífos Egípcios onde se podem observar deslumbrantes exemplos de arte.
 
Antes do século XIX a palavra “pintar” só foi aplicada aos tipos de pintura em óleo; uma alternativa para “pintar” casas era a lavagem com cal queimada ou a lavagem com pigmentos encontrados na natureza.
Indian pigments
Na Antiguidade as cores terracota, ocre e negro eram facilmente obtidos. Ainda restavam obter as cores como o azul, o vermelho, o amarelo, o verde, o azul celeste, o vermelho forte, a cor de ouro e o verde água.
 
Entretanto foram descobertas novas cores, o “Azul Egípcio”, seguidamente o ”Amarelo Nápoles” que remonta a cerca de 500 a.C. e posteriormente o “vermelho chumbo” foi descoberto por acidente cerca do ano 2500 a.C.
 
Marcos Vitrúvio Polião, arquiteto e engenheiro romano que viveu no século I a.C., deixou como legado a sua obra em 10 volumes, aos quais deu o nome de De Architetura, que constitui o único tratado europeu do período greco-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre construções hidráulicas, hidrológicas e arquitetónicas desde a época do Renascimento, onde descreve a produção de brancos a partir de carbonato de chumbo e de acetato de cobre usado como pigmento no século II d.C. A principal fonte de carbonato de chumbo era Veneza.
 
No século XVI, durante a Época do Renascimento, descobriram-se formas mais fáceis para extrair o azul intenso a quente do lápis-lazúli, seria em forma de cristais de cobalto, apesar de este ter de ser disperso em tinta ou verniz líquidos para obter o efeito desejado.
 
Pigmentos como “Neerlandês Pink” e “Crimson Lake” (Rosa holandês e Vermelho Natural) derivados de certos frutos e cascas árvore, foram descobertos no Novo Mundo. O carmim também foi descoberto e produzido por índios americanos; o Índigo (azul claro) foi obtido a partir da mistura de corantes em tinturarias.
 
No século XVII, cerca de 1620, o mercado holandês descobriu uma forma de armazenar carbonato de chumbo em maior quantidade, diminuindo assim os seus custos. Quase todas as tintas brancas para subcapas (primários) incluíam como pigmento o carbonato de chumbo, reservando o branco puro para tingir casacos. No final desse século, foi desenvolvido o vermelho forte, assim como o “King’s Yellow“, um tipo de pigmento de ouro.
Indian pigmentos
A descoberta do século XVIII foi o “Azul Prussiano”, desde há muito que era desejado um azul intenso profundo, disponível após 1724. Porém ainda não existia um espectro para pigmentos amarelos e, consequentemente, nenhum verde brilhante que não fosse produzido a partir de arsénio. Em 1778, foi inventada uma cor verde, “Scheele’s Green”, embora ainda bastante venenoso.
 
Uma inovação surgiu em 1781 com a patente sobre o Amarelo por Turner, embora fosse ainda preciso verniz para preservar a cor.
 
A verdadeira viragem foi no século XIX, na busca de uma cor, forte e brilhante, descobriu-se o “Crómio Amarelo” altamente resistente à água, em 1818. Através de um processo de aquecimento obtém-se o ” Vermelho Chinês ” – cor utilizada nas caixas de correio de Inglaterra. Misturas de “Azul prussiano” e “Crómio Amarelo” produziram o bem conhecido “Verde Brunswick “. “Cerulean”, uma água-marinha azul, e “Gmelin’s” (azul mar) foram descobertos entre 1821 e 1840, assim como o “Alazarin Crimson”.
 
Utilizando ferro e pigmentos à base de zinco, as fábricas de tintas industriais produziram a primeira tinta lavável, comercializada como “Charlton White”, em 1870. Produziram também emulsões baseadas em fórmulas semelhantes sem a introdução da grande quantidade de óleos. Até 1880 as novas tintas foram prontamente disponíveis em latas, numa ampla gama de cores, chegando a ser exportadas para todo o mundo.
Cimento Portland
O desenvolvimento de tintas laváveis ocorre paralelamente à produção do cimento de Portland (o primeiro cimento comercializado), o que permitiu uma enorme variedade de construções modernas, em que as casas eram quase impermeáveis à água.
 
A velha tradição de produção de tintas sobreviveu até à Segunda Guerra Mundial, especialmente em quintas e edifícios antigos onde os velhos valores foram conservados.
 
O sistema de aprendizagem profissional veio a ser substituído por “colégios técnicos”, em 1960, e foi nesse período que as empresas petroquímicas começaram a promover as tintas plásticas (introduzidas pela primeira vez na década de 1930) que ainda hoje em dia estão em uso.
 
A partir de 1980, a maior parte dos pintores artesãos da velha escola já não existiam e os poucos que permaneceram tinham dificuldades em obter os ingredientes para o fabrico dos materiais tradicionais, uma vez que estes utilizavam materiais densos e, com os métodos modernos de produção, as matérias-primas eram extremamente finas.
fabrica-de-tintas

Evolução da Industria das Tintas

Só com a Revolução Industrial é que as tintas e revestimentos de facto conquistaram o mundo. O rápido avanço tecnológico criou novos e vastos mercados para as tintas e revestimentos. A invenção e o incrível sucesso do automóvel constituiu o motor de desenvolvimento de novos revestimentos e processos de aplicação – devido às novas formulações, as trinchas foram substituídas pela pistola e os tempos de secagem encurtados, com a consequente aceleração do processo de pintura.
 
Hoje não seriam aceitáveis as tintas nitro celulósicas para aplicação à pistola usadas na pintura de automóveis, nos anos 30, e que continham apenas 30% de sólidos, consistindo o restante em compostos orgânicos voláteis (COV).
 
A indústria de tintas investiu fortemente na investigação e desenvolvimento de produtos com menor impacto no ambiente e na saúde humana. O teor de solventes das tintas foi altamente reduzido, podendo ser apenas de 15% nas tintas de altos sólidos. As tintas de base aquosa são muitas vezes usadas em substituição das de base solvente e alguns produtos são mesmo isentos de solvente, tais como as tintas em pó e as de cura UV (Ultra Violeta).
 
Ao longo das décadas, as formulações das tintas tornaram-se cada vez mais complexas e hoje os revestimentos não só protegem e embelezam os substratos como também lhes conferem propriedades funcionais: antiderrapantes, isoladoras, condutoras e refletoras, por exemplo.
 
As tintas e revestimentos desempenham um papel indispensável no mundo moderno e revestem virtualmente tudo o que usamos, desde eletrodomésticos, edifícios, carros, barcos, aviões a computadores, micro chips ou circuitos-impressos.
 
As tintas contribuem para a durabilidade dos objetos, ajudando dessa forma a economizar recursos naturais. Apresentam-se em todas as cores imagináveis e embelezam as nossas vidas tal como o faziam há 30.000 anos atrás.

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